Roller derby tupiniquim pride!

O final de semana passado foi um marco na história do roller derby tupiniquim!  Na tarde de sábado, 30 de junho, as Gray City Rebels (São Paulo – SP) fizeram o primeiro bout do Brasil, no evento de comemoração de 4 anos da Estação Jovem. Na tarde seguinte as Rebels retornam para a pista, dessa vez no “Batalha na Vila”. Já na noite de 30 de junho às 23:59, literalmente na “virada” esportiva, foi a vez das Ladies of Helltown (SP) e Sugar Loathe Derby Girls (RJ) estrearem o primeiro jogo interligas do Brasil na cidade de São Paulo!

As Gray City Rebels (São Paulo-SP) contaram com a parceria das Beach Zombie Roller Girls (Santos-SP) nos demos-bouts. Foto: Gray City Rebels

Foi muito roller derby para um final de semana só! É uma pena que nem todas as ligas não puderam ir para São Paulo fazer ver tudo isso ao vivo, inclusive a gente, o que não significa que não podemos fazer a nossa parte nesse momento tão importante para o esporte que amamos tanto e ralamos pra caramba para que ganhe visibilidade cresça muito aqui no Brasil! Colhemos depoimentos de quem mesmo debaixo de sol quente ou em pista de superfície inadequada fez bonito e esbanjou todo o rollerderby pride possível no primeiro final de semana mais rollerdérbico da nossa história!

Kaia Pilsen #107

Foi demais finalmente jogar com o nosso time, um time que treinamos juntas 3 vezes por semana! Foi a primeira vez que fizemos um demo-bout, que nos vimos em situação de jogo, e que muitas das nossas meninas jogaram um jogo! Foi incrível e deu ainda mais vontade de jogar! O que pudemos perceber é que realmente precisamos MUITO de refs e NSOs, e de qualquer tipo de voluntário. Foi foda ter que fazer tudo “sozinha”, tipo: marcar a pista no sol tendo que jogar meia hora depois, treinar refs sendo que não somos refs, arranjar os namorados das jogadoras pra ficarem de NSOs, cuidar da banquinha de merch, checar som pra fazer narração…  Mas mesmo assim valeu muito e é uma pena que não temos mais jogos interligas. Deu mais vontade ainda de ir pro brasileirão e jogar contra todo mundo! Quanto ao público, tinha de tudo e foi bem divertido. Tinha gente assistindo só porque era um bando de menina,  gente que veio de santos de outra liga apoiar (♥ Beach Zombie Roller Girls), tinha mãe, irmã, cunhado e afilhado apoiando a doida da família ♥, tinha adolescente, criança, avó, tinha tudo! No mesmo dia do Estação Jovem já recebemos vários emails de pessoas interessadas, então podemos dizer que nosso objetivo foi cumprido: queríamos divulgar o esporte e atrair gente! (Andrea Carlsson, a Kaia Pilsen #107 das Gray City Rebels)

Popotter em treino com as Rebels

Depois que minha namorada entrou pra liga eu acabei gostando do clima e  aprendendo algumas regras pra ajudar a marcar o tempo de jogo, as faltas, e por fim me colocaram pra dar os treinos também! Pouco mais de um ano depois tivemos nosso primeiro e segundo demo bout, com um público em volta da quadra a pista marcada, penalty box, estávamos bem próximos dos videos da DNN (risos)! As nossas fresh meats foram referees (juízes), aliás, precisávamos de muitos, mas é difícil achar meninas que não queiram jogar para serem referee e meninos interessados (sem ser namorados e conjugues das atletas) em saber as centenas de regras! O 1º bout foi em São Caetano e o local tem uma pista de skate incrível com um espaço pra show onde o público assiste num chão de grama sintética e nossa quadra estava logo ao lado. Acho que esse foi o primeiro bout realizado com sol intenso, porque todos os jogos costumam acontecer em quadra fechada. Começamos com um jogo demonstrativo explicando para o público a posição de cada jogadora, o significado das capas com a estrela, as linhas de saída e após essa primeira explicação começou o jogo de verdade. As meninas jogaram com muito mais emoção e empolgadas, porque tínhamos mais referees pra olhar a marcação e acompanhar as atacantes. Foi muito bom ver esse primeiro bout acontecendo, mesmo que em tempo reduzido e com 15 veteranas no total. O jogo foi rolando e fui narrando o tempo todo explicando o que ia acontecendo, um pouco das táticas, das faltas… O público ficou até o final e foi muito divertido, serviu de experiência para os próximos e cada vez mais vamos evoluir para ver o esporte crescer! No dia seguinte a demonstração do jogo foi em Interlagos no CEU Alvarenga dentro do evento “Batalha na Vila”, um campeonato de b-boys que acontece todo ano. Teve campeonato de melhor manobra de skate, parkour e nossa liga demonstrando o roller derby. Dessa vez fizemos um workshop explicativo após o jogo e fiquei de cara quando vi o público interessado, desde as meninas mais velhas até uma garotinha de 10 anos com um sorriso na cara empolgada patinando em volta da pista, cruzando nas curvas e patinando até de costas! Essa vai ser veterana antes de completar 18 anos! (Vinícius Rafael da Silva – mais conhecido como Popó, o coach Popotter”das Gray City Rebels)

Jewel Jitsu #8 no demo bout de domingo

Foi uma espécie de maratona pras Gray City Rebels! Fomos REFs, NSOs marcamos quadra, narramos, jogamos e fomos espectadoras do bout RJ x SP. A experiência de jogar pela primeira vez foi alucinante! Ficamos felizes em podermos nos divertir e, ao mesmo tempo, divulgar o nosso esporte em eventos tão legais e bem organizados! Pudemos vivenciar o roller derby como ele deve ser: sempre com os interesses coletivos à frente dos individuais. Jogadoras que se dispuseram a não jogar pra ser REF, meninas que ficaram com o sol na moleira uma hora antes de jogar marcando a quadra, a galera do merch que ficou nas vendas e nao pode acompanhar o jogo, enfim, cada um doando-se muito em nome do roller derby. Foi emocionante!Pra mim houveram dois pontos altos: ver na prática a habilidade adquirida das meninas que outro dia mesmo estávamos ensinando a ficar em pé sobre os quads e, a ver pessoas de diferentes idades (sobretudo a molecada) fascinados com esporte … e isso é só o começo! (Juliana Monteiro, a “Jewel Jitsu #8” das Gray City Rebels)

Debbie Hacther #9 na Batalha da Ponte Aérea.

Participar do primeiro interligas de roller derby no Brasil não podia ter sido melhor. Eu, que tô nessa luta desde o começo, me emociono em ver pessoas que nunca ouviram falar do esporte interessadas e empolgadas com o jogo. Acho que todas as meninas que estavam lá jogando sem estrutura nenhuma e lutando para a coisa acontecer são guerreiras. Quem ganhou ou quem perdeu é o de menos  e que daqui pra frente o roller derby tenha ainda mais visibilidade no Brasil! (Débora Franco Machado, a Debbie Hatcher #9 das Ladies of Helltown)

Mojo´n Jet #33

Primeiro jogo contra outra liga aqui no Brasil né? Era a nossa primeira chance de mostrar ao vivo pra todo mundo o que realmente era esse tal de roller derby e não tinha oportunidade melhor do que essa. Um evento da prefeitura diretamente ligado ao público da patinação? Perfeito!Mas na hora que fui ver o piso do lugar com o nosso coach D. Araki (Denis) e com a Debbie Hatchet (Debas), confesso que meu coração quase parou: era o chão mais horrível que poderíamos ter pra um primeiro jogo da vida! E-mails e mais e-mails pra organizarmos tudo. A partir da confirmação de ambas as partes, nós aqui em sampa começamos a correr com os treinamentos focados nos times e nos nossos juízes, que diga-se de passagem, eram virgens. MESMO! Tínhamos menos de um mês pra fazer tudo dar certo, aproximadamente 6 a 8 treinos pra alinhar a nossa arbitragem, conferir minuciosamente as regras e correr atrás de uniforme, release, flyer, divulgação e quem sabe, um apoio. A gente treina pra isso, mas não dá pra falar que esperávamos por um jogo assim de sopetão. Eu sei que fechei o olho e já era dia 30, e somente neste dia tivemos a liberação da organização pra marcação de pista. Eram 14h e tínhamos até às 17h pra marcar a pista e tampar todos os buracos. Éramos eu, Debas e Denis novamente, correndo contra o tempo de baixo de um sol de rachar! Enquanto isso, as outras gurias cuidavam dos últimos detalhes de uniforme, primeiro socorros e outras coisinhas. Agacha, cola fita, levanta, tapa buraco com papelão, corta fita, agacha, cola fita, levanta, agacha, cola fita, papelão… Isso nos rendeu boas dores lombares bem no dia do jogo! Mas dane-se, aqui é roller derby e nada é sem sofrimento nesse negócio! (Marina Veloso, a Mojo´n Jet #33 das Ladies of Helltown)

Beki Band-Aid #13

Primeira vez é aquela coisa, né? Todo mundo super nervoso, adrenalina correndo solta, nervosismo nas alturas e muita emoção! 14 meninas em cada liga, dois períodos de 20 minutos, intervalo de 10 minuto e sem timeout por causa do tempo curto… O jogo foi incrível, as meninas do Rio são muito fortes e rápidas, achei que ia sair de lá toda esfolada! Ainda bem que nenhuma de nós sofreu graves ferimentos, um arranhão aqui, outro ali, mas todas sobrevivemos. Ouvir a plateia torcendo a cada passagem de uma jammer ou a um rola de alguma jogadora foi a melhor sensação que eu já senti. Foi absurdo, inexplicável, amei e quero mais!Não consigo descrever o que significou pra mim tudo isso e não tenho palavras pra dizer como foi importante. Realizar esse sonho ao lado dessas pessoas incríveis foi mais do que eu esperava!Mesmo com todas as dificuldades, obstáculos e falta de apoio a gente fez acontecer e faremos de novo, de novo e de novo e vamos continuar fazendo e vamos atingir maiores e novos objetivo, porque isso é o roller derby! Tenho muito orgulho de todos da Ladies, de verdade, a galera trabalhou pra caramba. A galera das Jelly Fish, que se mobilizou pra vir numa van lá de Santos pra trabalhar como NSO… e o que foi o pessoal da Sugar Loathe Derby Girls, alguém me diz? Fretaram um busão, enfrentaram quase 10 horas de viagem (elas pegaram trânsito e o motorista ainda se perdeu) mas chegaram aqui super felizes, pilhadas. Jogaram com raça, meteram a porrada na gente e depois do jogo voltaram direto pro RJ. É muito amor mesmo, só posso agradecer a dedicação das cariocas por terem vindo pra cá jogar com a gente! (Juliana Bruzzi, a Beki Band-Aid #13, da Ladies of Helltown)

As Beach Zombie Roller Girls que ajudaram (e muito) as Rebels já contaram no blog delas como foi a experiência. Vai lá: http://beachzombierg.blogspot.com.br/2012/07/o-ultimo-fim-de-semana-pode-e-deve-ser.html. As Sugar Loathe Derby Girls também contaram tudinho no site delas http://blog.sldg.com.br/?p=632 e ainda fizeram um teaser muito bem humorado sobre a viagem de 10 horas até São Paulo para a “Batalha da Ponte Aérea” contra as Ladies of Helltown, divirta-se: http://vimeo.com/45204990

Ladies of Helltown (São Paulo -SP), Sugar Loathe Derby Girls (Rio de Janeiro – RJ) e Jellyfish Roller Derby (Santos -São Paulo) reunidas na “Batalha da Ponte Aérea” no último sábado em São Paulo-SP. Foto: Jellyfish Roller Derby

Mas a agenda de eventos rollerdérbicos de 2012 não para por aqui! Lembrando que nos dias 12,13 e 14 de outubro tem o 1º Brasileirão de Roller Derby, no Rio de Janeiro; e nos dias 8 e 9 de dezembro tem o bootcamp com Psychobabble, DeRanged e Helen Wheels em São Paulo. Sinal de que o roller derby, esporte que mais cresce no mundo, está crescendo por aqui também. Que iniciativas como essas continuem a acontecer mesmo com todas as dificuldades e perrengues que temos que enfrentar para que a peste rollerdérbica definitivamente se espalhe pelas terras tupiniquins!

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